Em Direito: As singularidades da docência digital

Segunda-feira, Julho 13, 2020 - 16:55

Na Escola do Porto da Faculdade de Direito da Católica, o ensino online é uma realidade estabelecida desde março. Em apenas dois dias, o ensino presencial foi transferido para o digital, onde os docentes e os alunos se adaptaram rapidamente.

Ensino digital foi rapidamente transferido para o meio online

O processo de ajuste na lecionação foi feito tranquilamente, tendo em conta as características particulares que existem na docência digital, como explica a professora Inês Espinhaço Gomes: “A sessão fica disponível 15 minutos antes da hora da aula. Durante esse tempo partilho com os estudantes um momento musical - uma playlist que criei para nós.” Após este momento, os alunos vão entrando e cumprimentando a docente: “dizem «bom dia» no chat, com um emoji.” De seguida, a aula inicia-se como acontece em contexto presencial, mas através do microfone. Ou seja, é feito o ponto de situação e é revista a matéria da aula passada. Depois, é partilhado o powerpoint. A certa altura, um momento cómico acontece: “Alguém escreve «kemlbpdoawiudmdpo». Pede desculpa, foi a cadela que saltou para o teclado.”

Do mesmo modo, o professor Agostinho Guedes reconhece que o ensino online pode, por vezes, conduzir a momentos caricatos: “De vez em quando, para tornar o ambiente mais leve, conto-lhes uma história com piada, da minha experiência de estudante ou da minha vida profissional. Como eles têm os microfones desligados colocam emojis no chat deste género , o que me dá sempre vontade de rir.”

Obstáculos prendem-se com a falta de contacto fisico 

Apesar da familiaridade dos docentes e alunos com a atividade online, existem alguns obstáculos que, para a professora, se relacionam com a ausência de contacto presencial: “Os principais desafios são não ver os estudantes e, por isso, não ser capaz de ler e de decifrar as suas expressões corporais. O corpo, a atitude e predisposição física dizem muito. Em aula presencial, percebo quando pedem, com o olhar, que repita, quando estão confusos, interessados, inquietos, inconformados, distantes e isso, evidentemente, que influi na dinâmica que imprimo à aula.”

Estudantes mostram-se empenhados em aprender

Já o professor tem reparado que os alunos parecem “mais focados e mais preocupados em aprender”. Por exemplo, há mais participação nas aulas “através do chat, que é uma boa forma de contrariar a timidez que muitos deles ainda vão tendo.”

Aliás, para a professora Inês Espinhaço Gomes, o processo de participação dos estudantes funciona plenamente dado que “são muito ordeiros e respeitosos, como na aula presencial. As vozes são as mesmas, eu reconheço-os e é reconfortante.”

Efetivamente, a plataforma onde são lecionadas as aulas permite a normalização do ensino: “Consigo contactar com os estudantes em tempo real, por isso posso explicar a matéria, colocar-lhes problemas, ouvir as dúvidas deles e responder. Tenho um quadro virtual que os alunos veem e no qual escrevo algumas coisas, faço esquemas e desenhos”, enumera o professor Agostinho Guedes. Com o objetivo de garantir a aprendizagem dos alunos, marcou um horário de atendimento que tem tido sucesso, ao ponto de ter decidido manter essa ferramenta quando o ensino voltar a decorrer presencialmente.

Ensino digital tem decorrido na normalidade

Embora haja alguns constrangimentos que derivam das individualidades do meio digital, a professora de Direito admite que tem sido uma experiência que “acaba por nos humanizar, o que é muito contraditório. Mas penso que temos estado a confiar muito uns nos outros. Nós neles e eles em nós.”

O ensino online tem assegurado a aprendizagem dos estudantes de forma eficaz e prevê-se que se prolongue até que ao regresso à normalidade seja considerado seguro.