A adequada educação dos utilizadores da IA é, naturalmente, um aspeto fundamental. Mas essa educação não deve limitar-se a saber como usar a IA, mas também a de saber quando não usar a IA – quando devemos praticar um “jejum de IA”.
A recentíssima Encíclica “Magnifica Humanitas” foca-se, como é sabido, nos desafios que a Inteligência Artificial (IA) coloca à humanidade. Há diversíssimas reflexões relevantes, que têm sido objeto de distintas e interessantes reações.
Gostaria de chamar a atenção para um aspeto que tem passado algo despercebido: a proposta que o Papa dirige, a cada um de nós e, em particular, às instituições de ensino, para que cultivemos uma “higiene da atenção”.
É sabido como as plataformas digitais, e, em particular, as redes sociais, foram concebidas para prolongar ao máximo o tempo de utilização ou a quantidade de “gostos”, de partilhas ou de comentários dos utilizadores. Para o efeito, fazem uso de técnicas (como a personalização de conteúdos ou a propagação de publicações polarizadoras) que “agarram” o utilizador à rede, assim maximizando as receitas das plataformas.
Em resultado disto, passamos cada vez mais tempo a olhar para ecrãs – há quem estime 4 a 5 horas por dia – sem que percebamos que utilidade daí retiramos e afastando-nos de atividades que nos realizam efetivamente enquanto pessoas. Pior, as redes sociais, através dos seus algoritmos, podem acabar por nos conduzir, sub-repticiamente, a ter opiniões e a adotar posições que, de outro modo, nos pareceriam desadequadas.