Católica reúne especialistas para debater o impacto da IA e das tecnologias emergentes

Friday, May 8, 2026 - 19:36

Como é que as tecnologias emergentes podem transformar economias, organizações e a própria sociedade? O que é necessário para orientar esta disrupção em direção a um futuro próspero? Foi em torno deste mote que o Católica Centre for Thriving Futures (CCTF) juntou investigadores, líderes empresariais e especialistas num evento focado na partilha de conhecimento e no diálogo.

Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, abriu o evento com uma intervenção que sublinhou a importância “do propósito, da responsabilidade e da interdisciplinaridade” no debate sobre a IA e a tecnologia e que destacou o papel central das três faculdades que integram o CCTF: a Católica Porto Business School, a Faculdade de Direito – Escola do Porto e a Faculdade de Biotecnologia. Enquanto pró-reitora da UCP para a sustentabilidade, reafirmou que este é um “compromisso transversal à instituição, que atravessa o modo como ensina, investiga e se relaciona com a sociedade”.

Wayne Visser, diretor do CCTF, lançou cinco provocações que serviram de fio condutor para todas as conversas que se seguiram e que propõem uma mudança de paradigma em cinco frentes: futuro, inovação, tecnologia, inteligência artificial e impacto.

  • A nossa abordagem ao futuro tem de mudar - de muito mais tarde e muito longe para muito mais cedo e perto de casa.
  • A nossa abordagem à inovação tem de mudar - de prever o futuro e planear para ensaiar o futuro e adaptar.
  • A nossa abordagem à tecnologia tem de mudar - de tecnologias de divisão e desespero para tecnologias de inclusão e esperança.
  • A nossa abordagem à inteligência artificial tem de mudar - de uma IA que vai mais longe e mais depressa para uma IA que vai mais largo e com mais sabedoria.
  • A nossa abordagem ao impacto tem de mudar - de uma sustentabilidade que faz menos mal para uma regeneração que promove o bem.

Seguiu-se a conferência com o keynote speaker do evento, James Arbib, co-fundador da RethinkX, autor de Stellar, centrada na convergência entre energia solar de baixo custo, baterias, transporte eléctrico autónomo, inteligência artificial e robótica humanoide emergente e no argumento de que esta combinação não representa uma transição gradual, mas uma rutura a nível sistémico, com custos em colapso na energia, na inteligência e no trabalho físico a desencadearem uma reinvenção rápida e auto-reforçada da economia e da sociedade.

Regulação europeia da IA e aplicações em Biotecnologia

Pedro Freitas e Pedro Rodrigues, docentes da Faculdade de Direito e da Faculdade de Biotecnologia respetivamente e membros da equipa do CCTF, apresentaram resultados da investigação em curso sobre dois temas: a regulação da inteligência artificial na União Europeia e a aplicação da IA em Biotecnologia nas ciências da saúde. A sessão explorou o enquadramento jurídico que está a tomar forma na Europa, bem como casos concretos de utilização em contexto biomédico.

Seguiram-se dois painéis: o primeiro sobre “Como a IA está a mudar as empresas” e o segundo “Como a IA está a mudar a sociedade”.

O primeiro painel, moderado por Lyal White, do Gordon Institute of Business Science, contou com a participação de Sara Mendes (Innovation Manager na Sogrape), Tokyo Tarek (Director of Applied AI na Mindera) e Felipe Ferreira (Head of Strategy, Data & AI na Worten Portugal). A discussão organizou-se em torno de duas perguntas: quais as inovações ou tecnologias baseadas em IA que já têm impacto disruptivo no mercado, e quais as que têm potencial transformador, mas carecem ainda de maior suporte, seja de investimento, seja de enquadramento de política pública.

O segundo painel, moderado por Wayne Visser, juntou Pedro Santa Clara (fundador da Shaken Not Stirred), Paulo Dimas (CEO do Center for Responsible AI) e João Costa Ribeiro (Open Innovation Intelligence Lead na Galp). O debate aprofundou duas questões: em que medida os riscos sociais, éticos e ambientais da IA estão a ser adequadamente endereçados, e quais as melhores oportunidades para que a IA produza um impacto positivo nas dimensões ambiental, social e de governação.

E se liderar fosse menos sobre responder à última crise e mais sobre sentir o que está a emergir?

A tarde foi dedicada a um Diálogo Estratégico sobre “O que significa liderar a partir do futuro?”, orientado por Martin Calnan, titular da Cátedra UNESCO para a Literacia do Futuro na École des Ponts Business School, por Cam Danielson e Pamela Fuhrmann, co-fundadores do Conscious Leadership Institute e da One Earth Leadership, e pelo Professor Lyal White, director do Porter Institute Africa Hub no Gordon Institute for Business Science. A sessão explorou o que significa liderar a partir do futuro, uma abordagem que coloca a tónica não na resposta à crise imediata, mas na capacidade de antecipar o que está a emergir e de questionar os futuros que as organizações estão implicitamente a construir.

Sobre o Católica Centre for Thriving Futures

O Católica Centre for Thriving Futures da Universidade Católica Portuguesa tem como missão melhorar a saúde da natureza, da sociedade e da economia através de investigação aplicada, interdisciplinar e baseada em evidência, sobre tendências e boas práticas em política, tecnologia e finanças [MT1] que possam contribuir para um futuro melhor para Portugal e além-fronteiras. Para cumprir esta missão, o CCTF reúne a expertise da Católica Porto Business School, da Faculdade de Direito – Escola do Porto e da Escola Superior de Biotecnologia, desenvolvendo uma análise orientada para a sustentabilidade nas áreas da ciência de dados e da inteligência artificial, da inovação em bioeconomia e das finanças e relatório ESG.

CCTF Projects & Courses